Preso dum amor
(carta à ligeira)
O que parecia um amor
tam so era uma ilusom,
manhá saberei se o era ou nom.
Nom esquecerei ao amigo tunante,
nim traidor lhe serei
de agora pra adiante.
Traguei uma ofensa,
pois ao humilhar-me
se cadra o tempo me ensalza,
de consolo pensava.
Pensei com inocéncia.
Quem sabe das leis
que os sentimentos governam ?,
se descravando o dardo
agranda-se a ferida.
Ando preso dum amor
que seu peso nom dou levado.
Que fago pra que seja liviám ?,
para nom morrer com el posto.
Sacrifício gostoso e consciente,
renúncia constante ao egoismo
e uma entrega sem límite.
Seica todo seria pouco
quando se trata de dar
e de dar-se, sem reserva.
Mal imos se nom damos
e ainda pior se nom podemos,
muito pior se é que nom temos,
peró ai!, se nom queremos !.
Se nom se sabe ver o proveito
de regalar felicidade,
podendo ou sem poder,
estamos bem perdidos,
arruinados para sempre.
🌟
Moradelha editora