29 xuño 2021

Epístola XI : Carta ao vento

 



Carta ao vento


Airinhos do pinheiral,
mandai-me meu sustento,
mandai-me um alouminho,
que me venha acaroar.

Pra poder vivir em paz,
regalai-me o recendo,
que bique na minha faz,
que agora tenho-a ardendo.

Hei de fazer o esforzo
de com jeito respirar,
tanto tem na auga ou no ar, 
terei-me que esforzar.

Vivo dentro dum fluido
e compre-me bafejar,
compre-me colher aire,
pra poder desabafar.

Entom hei de meditar,
intentando nom pensar,
ver de nom afogar-me
coas cousas do meu pesar.

Om, om e muito mais om,
constante meditaçom,
constante respiraçom,
para conservar a paz.

Om, om e muito mais om,
pensar cousa valeira,
para nom me atormentar
e pra poder descansar.

Vem ventinho ao meu carom
cum sopro de ar morninho
e bica-me a modinho,
da-me a tua doce beiçom.

Clarea-me o caminho,
traendo-me inspiraçom,
pondo-lhe iluminaçom
ás duas beiras do Minho.

Uma beira é minha man,
colhendo a tua rio arriba,
disposta pra navegar
até juntar-nos no Mar.

🌟


Moradelha editora



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