04 xullo 2021

Epístola XII : Em busca da Nada

 


Em busca da Nada



Carta a ninguém


Vou em pesca da Nada
pesquisando o vazio
que a ela contenha

Pois o pouco que eu falo
som palavras valeiras
som feitos consumados

Duns inúteis gestos
cheios de autoenganos 
e medos inconfessos

Os amores perdidos
os siléncios escuros
o meu fume soprado

Um valor desprezável
um infinitésimo
é insignificante

Meu combate é nulo
sem pode-lo repetir
é fim da competiçom

Eu vou so polo Mundo
sem voltar nunca atrás
indo sem palpebrejar

Vou choutando nas charcas
vou saltando nas pedras
miro nom entropeçar

Vou em busca da Nada
que nada ela contenha
que nada dela quero



Moradelha editora




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